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25 de setembro de 2026
Configurar a vida é organizá-la de
forma a dar-lhe sentido e motivações para uma existência feliz. Por outro lado,
desorganização é reflexo de descontrole interno, que dificulta a condução
saudável das ações do cotidiano. Consequentemente, é importante repensar, com
certa frequência, o real caminho que está sendo percorrido e encontrar a
direção certa e segura para atingir seus objetivos.
O mês de setembro é celebrado como o mês da Palavra de Deus,
mês da bíblia. A configuração da vida das pessoas deve estar consolidada a
partir da Palavra orientadora do Senhor, que cria uma cultura particular na
forma de se viver ao construir a própria história pessoal. É pautar um olhar de
esperança numa utopia de futuro, mas com convicção firme de que ela poderá ser
realizada.
A construção é caminho de configuração, de conduta da vida
pessoal, mas também da vida social. Tudo supõe responsabilidade e querer
realizar o bem, principalmente o bem comum na sociedade. Estamos no momento bonito
das eleições, espaço de fazer acontecer a configuração do Brasil, porque vamos
escolher pessoas responsáveis pela conduta do nosso país. Isto exige
responsabilidade.
O eleitor precisa ter uma vista clínica neste momento, olhar
que ultrapasse seus interesses particulares e com uma visão do todo da
sociedade. O bem comum não é um bem individual, intimista e exclusivista,
fechado em si mesmo. Isto tem fundamento bíblico, pois a Palavra fala de ter o
sentimento de fraternidade, convicto de que o voto tem força comunitária e
ajuda a toda a comunidade.
O clima eleitoral tem um histórico de tensão. A Palavra de
Deus diz: “aspirai à mesma coisa, unidos no mesmo amor; vivei em harmonia,
procurando a unidade” (Fl 2,2). Mas é a disputa pelo poder, que pode ser uma
armadilha para dificultar as relações de fraternidade e desenvolvimento do país.
Aí está a importância de escolher pessoas aparelhadas com a prática do bem
comum.
A vida tem seus erros e acertos, aquilo que pode acontecer
também numa eleição. As tensões têm que ser harmonizadas, cada um sabendo
ganhar ou perder. Assim é a trajetória da vida, mesmo com polarizações e
extremismos, é possível apaziguar os ânimos, entender as paixões como limites
do humano e projetar um futuro de sociedade onde o bem de todos seja
construído.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba