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2 de fevereiro de 2026
Há um versículo bíblico, que
retrata perfeitamente o sentido da expressão, “brilhar como luz”, quando o
Evangelho diz: “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade
edificada sobre um monte” (Mt 5,14). Deve ser vista. O
brilho da luz, na vida do cristão, vem do batismo, da semente da fé presente em
seu coração e exige testemunho de autenticidade nos compromissos do cotidiano.
A liberdade é uma condição essencial para o cristão ser luz
na sua conduta de vida. Sabemos que os desvios na conduta pessoal significam
viver na escuridão, naquilo que desabona a qualidade da identidade individual.
É fechamento em um mundo escuro, manchado de maldades, injustiça e práticas
escusas de astúcias humanas. Essa não deve ser a conduta dos cristãos,
batizados na luz de Cristo.
Quem age como luz, ama, aproxima, consegue dar sabor para as
relações e ilumina a vida dos outros. Essa é uma exigência contida na prática
do sacramento do batismo, ou prática da fé cristã. Em outras palavras,
significa seguir os passos do Mestre Jesus, que colocou sua vida para construir
o bem das pessoas e da comunidade. Toda vida de Jesus foi de construir
dignidade de seus seguidores.
O brilho da luz está na caridade, na superação das
injustiças e do egoísmo. Nas Bem-aventuranças Jesus fala de cobrir os nus, dar
alimento a quem tem fome, visitar os presos etc. É perfeitamente o exercício da
partilha de bens, dando, ao necessitado, o que favorece sua condição de vida
humana. Esse é o caminho da luz, porque ser humano com o outro é abrir espaço
para o sentido da existência.
A luz da fé, que brilha nos corações e no testemunho que se
deve dar para a comunidade, precisa estar ancorada no poder e na sabedoria de
Deus. É a luz emanada das Bem-aventuranças, que, na prática, é como gesto
humano de amor ao próximo, mas investida de espiritualidade divina. O brilho
pertence a Deus, intermediado e sinalizado pela singela contribuição da pessoa
humana.
Ao conceituar a palavra luz, o Evangelho fala também de sal,
que salga e conserva os alimentos. Sugere ação com estabilidade e firmeza, símbolo
de perseverança. O sal também purifica, dá sabor e uma verdadeira energia vital
diante dos momentos insossos, da escuridão provocada pelas maldades do mundo.
Então, luz e sal refletem os propósitos de um cristianismo comprometido com a
vida.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba