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14 de setembro de 2026
Levando em consideração o clima
cultural da atualidade, a autenticidade é uma palavra muito provocadora, porque
as falcatruas, fraudes, falsificações, inverdades, especialmente no campo
político e econômico, têm um tom de extrema relevância. Pois, sabemos que a
palavra autenticidade significa a evidência de tudo que é considerado genuíno,
verdadeiro, original e legítimo na vida comunitária.
A sociedade tem a marca das maquinações, às vezes para fazer
o bem, às vezes para fazer o mal. A profecia bíblica chama nossa atenção quanto
ao falar da escolha do mal (cf. Is 55,7). Existe muita falsidade envolvente,
praticada com objetivos individualistas e desconectada com o bem comum social. Esta
é uma realidade bem presente nas tratativas eleitoreiras, como na compra de
votos.
O desenvolvimento tecnológico é um dom divino e perfeito. Assim
acontece com a beleza e a precisão da Inteligência Artificial, principalmente
em relação aos resultados que ela produz. Mas tudo depende de quem a alimenta
com dados, se é para fazer o bem, ou para fazer o mal. Então, a autenticidade
da técnica não depende dela mesma, mas dos interesses honestos ou com
propósitos desonestos.
Parece haver hoje uma competição entre o agir de Deus e a
mentalidade humana. Mas é um humano com tendência para descartar os princípios
divinos, que se destacam pelo trajeto da moralidade. Para um ato humano ser
autêntico, o substrato de fundo não pode ir na contramão da justiça e da
verdade. O apóstolo Paulo fala de “buscar viver à altura do Evangelho de Jesus
Cristo” (Fl 1,27).
Autêntico é aquele que se identifica com a “estatura de
Cristo” (Ef 4,13), que não se conforma com os nossos esquemas e nem se deixa
aprisionar pelos nossos cálculos, às vezes desonestos. Pela mentalidade atual,
não é fácil entender o agir de Deus. Para ele não importa a quantidade de
trabalho realizado, mas a qualidade da vida do trabalhador e de suas
necessidades mais urgentes.
As palavras autenticidade e justiça caminham lado a lado. É
uma marca sem precedentes da Doutrina Social da Igreja, porque o alvo principal
é a dignidade da pessoa humana e não a prática de privilégios. O ser humano não
pode ser transformado em uma mera mercadoria, que se negocia conforme os
interesses dos negociadores e com os critérios dos mais fortes e dominadores.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba