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9 de junho de 2025
O verdadeiro amor vem do fundo do
coração, do íntimo de cada pessoa e depende de correspondência no contato com outro
indivíduo. Amor que provoca relação, afinidade e altruísmo, seja com Deus, com
outra pessoa ou com a comunidade. Assim podemos dizer que é o amor que faz surgir
e acontecer uma comunidade cristã concreta, capacitando as pessoas para o
relacionamento fraterno.
Deus se revela como comunidade de três pessoas distintas, do
Pai, do Filho e do Espírito Santo. A doutrina diz que Deus é trino e, ao mesmo
tempo, uno, pois, a natureza é a mesma, mas os três têm manifestações
diferentes: O Pai é o criador, o Filho, o salvador e o Espírito Santo, o guia e
santificador. Na verdade, é um mistério, que a mente humana não consegue
discernir quanto à sua plenitude.
A Igreja é assembleia do povo munido de sabedoria e fé na
Trindade Santa. O cristão é convidado a contemplar essa sublime realidade, mas com
olhos de Deus, de onde brota a vida comunitária. Forma espaço físico, local de
calor humano, de solidariedade e compromisso com toda a criação. Quem vive em
comunidade, defende a natureza, necessária para que todos tenham vida saudável.
A identidade de Deus se revela na criação, principalmente no
ser humano, obra perfeita de sua plena sabedoria. Quanto mais a pessoa pratica
obras boas, vive em comunidade a solidariedade, mais acontece, na prática, a
beleza da grandeza do Criador. Faz acontecer a realização do projeto de Deus,
que não suporta solidão, exploração, inverdades e nem o individualismo gerador
de doenças.
O Reino de Deus, em perspectiva comunitária, se consolida na
comunidade dos cristãos e se estende, para uma dimensão maior, quando forma
rede de comunidades. A marca distintiva do projeto é o comunitário, o calor
humano, a convivência, onde se ajudam de forma fraterna. No dizer do apóstolo
Paulo, a comunidade é fonte de esperança, mas aquela que não decepciona (cf. Rm
5,5).
Estando na companhia dos discípulos, Jesus mostra para eles
o sentido verdadeiro da vida de comunidade, ao dizer: “Já não vos chamo servos,
..., mas amigos” (cf. Jo 15,15). É uma intimidade que depende da presença do
Espírito Santo revelando a presença do Pai e do Filho, como presença da
Santíssima Trindade, formadora de comunidade na dimensão do Reino de Deus.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba