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14 de julho de 2025
O equilíbrio é essencial para uma
vida saudável e feliz. Mas cada pessoa tem seu jeito de proceder, suas
capacidades pessoais, seu próprio gênio e suas naturais reações. Os extremismos
geram conflitos, discussões e divisão. O povo brasileiro tem enfrentado
polarizações no campo político, mas também no setor religioso, usando como
saída, para muitos, as atitudes individualistas.
A vida comunitária tem se esvaziado, dando espaço para atos
desconexos com as atitudes coletivas, refletindo uma sociedade que vive muitos desafios
no campo psicológico e doenças mentais estressantes. A forma das decisões
autoritárias contribui para essa realidade, que acaba desgastando o clima de
paz da sociedade. Não só as pessoas, mas toda a comunidade sofre as
consequências.
Os desequilíbrios provocam atos extremistas, porque existe
um esvaziamento na sensibilidade do coração das pessoas. O Papa Francisco era
preocupado com isto, porque sem sentimento pela vida do outro gera práticas de
agressão e morte. Ver um adolescente tirar a vida de outro, matar a própria
família por questões de sentimento, de ciúme e inveja, provoca preocupação na
vida familiar.
Agora, como buscar equilíbrio se não existe uma formação de
qualidade em todos os órgãos responsáveis, principalmente pelas famílias
totalmente desprovidas para fazer esse processo estrutural na vida dos filhos!
As Igrejas contribuem, a catequese da mesma forma, as escolas dão sua
participação, mas há um clima de desprezo para que haja uma formação de
qualidade digna dos novos tempos.
Creio que o forte espírito competitivo provocado pela
cultura capitalista, pelo ter, pelo acúmulo de um lado e a pobreza de outro,
pelas guerras, as polarizações, tudo distancia as pessoas umas das outras. A
consequência natural é o fechamento, o isolamento, o medo e tantas coisas mais.
Assim temos um sintoma forte de desequilíbrio, que força práticas não
condizentes com o ideal de vida saudável.
É preciso compreender o significado da vida de Jesus. A cruz
não foi expressão de desequilíbrio, mas de consciência da missão. Quando ele
diz: “Pai, afasta de mim este cálice! Mas seja feito não o que quero, porém o
que tu queres” (Mc 14,36), estava agindo com total equilíbrio no cumprimento do
projeto de vida, que passa pela via da morte e tem seu cume na plenitude da
ressurreição.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba